Revolução digital no setor energético prevê uma nova relação das distribuidoras com o consumidor

Os hábitos do consumidor mudaram e precisam ser levados cada vez mais em consideração pelas empresas quando se fala em experiência fidelização. No setor energético, as distribuidoras estão atentas a esse movimento para que consigam ser assertivas na oferta de serviços e rápidas na resolução de problemas. Essa foi uma das ponderações trazidas para o debate durante o Meet Up de Energia “Da Geração à Entrega de Energia ao Consumidor: A Revolução Digital e o seu Impacto no Setor Energético”, promovido pelo Futurecom Digit@l Week.

O webinar reuniu Bruno Cecchetti, diretor de Tecnologia de Rede e Inovação da Enel Brasil; Marcos Camillo, superintendente de Tecnologia da Informação da Copel; Heron Fontana, superintendente de Smart Grid da Neonergia; José Roberto Paim Neto, head de Excelência Empresarial da CPFL Energia; Alberto Rodrigues, gerente de soluções da Nokia; Vanessa Vieira, CTO da Ericsson; José Francisco Sobral, consultor sênior da Ciena, e Francisco Costa de Menezes, diretor da Huawei.

Os participantes abordaram como a geração distribuída e redes inteligentes exigem novos recursos e acionam novos modelos de negócios, estabelecimento de tarifas por tempo de uso, bem como segurança de dados e liberdade de escolha do consumidor pela distribuidora de energia que atenda melhor ao seu perfil de uso.

Bruno Cecchetti, da Enel, abordou a importância da transição energética, que prevê mudanças no atual modelo de produção, consumo e reaproveitamento da energia. Segundo ele, 70% da população mundial viverá em grandes cidades em 2050, o que levará a uma grande demanda por comunicação e energia – esta precisa ser cada vez mais renovável para a sustentabilidade ambiental e social. Com isso, a digitalização será ampliada com medição e redes inteligentes.

O executivo destacou o projeto Urban Futurability, projeto de transformação digital da rede elétrica do bairro Vila Olímpia, desenvolvido em parceria com a Ericsson e Qualcomm. “Utilizamos gêmeos digitais para conhecer o que está acontecendo na rede com o objetivo de identificar possíveis problemas antes que eles aconteçam. A inteligência artificial fornece informações para tomada de decisão e atuação no centro de controle e, também, para os trabalhadores em campo”, destaca.

Para os painelistas, a medição inteligente é fundamental para que as pessoas tenham informação exata, em tempo real, sobre o consumo de energia. Dessa forma, é possível se planejar para ter a gestão efetiva da energia. Com as redes digitais, as companhias poderão oferecer tarifas diferenciadas para o consumidor, além de otimizar a capacidade instalada e a curva de carga. Outra tendência é a portabilidade, ou seja, ter um mercado livre para baixa tensão. Assim, o consumidor poderá escolher sua comercializadora de energia.

De acordo com Heron Fontana, da Neoenergia, muitos dados dos clientes ficam nas mãos das distribuidoras. Por isso, a importância de investir cada vez mais em cibersegurança para blindar ataques e garantir a proteção das informações. Essas informações também são uma oportunidade para que as empresas possam utilizá-las de maneira assertiva na oferta de serviços.

Alberto Rodrigues, gerente de soluções da Nokia, disse que a empresa tem trabalhado bastante em redes de missão crítica. “As soluções wireless trazem a inovação do mercado de telecomunicações para o segmento de Utilities, o que permite a utilização dos smart grids. A tecnologia 5G vai habilitar vários casos de uso na Indústria 4.0”, ressalta.

Segundo Francisco Menezes, da Huawei, o setor de energia vai passar não só por uma transformação tecnológica, mas também na forma de atender o consumidor. As empresas terão que preparar suas redes para lidar com o grande volume de informações dos usuários. “O 5G vai trazer possibilidades de processamento, de tomada de decisão e geração de novos negócios”.

José Francisco, da Ciena, afirma que a transformação passa pela questão de infraestrutura, que exigirá mais investimentos para que as redes estejam, de fato, preparadas para as novas demandas. ”Precisamos de arquiteturas de telecom para o setor energético definidas por software. As redes de transporte de energia devem ser escaláveis para acomodar o tráfego e garantir a disponibilidade de serviços”, comenta.

“Para digitalizar, você precisa de conectividade por trás. Precisamos garantir que o investimento feito neste momento seja protegido. Aconselhamos que as companhias de energia instalem redes móveis 4G, já preparadas para o 5G, com o objetivo de atender os casos de uso atuais e do futuro”, complementa Vanessa Vieira, da Ericsson.


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